O último dia 30, a aprovação do programa "Ensino Médio Inovador" pela Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE) deixou gestores de ensino, professores e alunos apreensivos. Uma nova estrutura curricular foi anunciada para o ensino médio. Seria o fim das disciplinas e a imposição de uma nova estrutura curricular, organizada por áreas de conhecimento, para todas as escolas de ensino médio no Brasil? A resposta é não. Tais mudanças valerão apenas para as 100 instituições que participarem do programa, que terá um teto de R$100 milhões de financiamento do Ministério da Educação (MEC). E, mesmo para as escolas do programa, a realização de um trabalho interdisciplinar não significará o fim de cada uma das 12 disciplinas que compõem a grade do ensino médio.
É o que garante Carlos Artexes Simões, diretor de concepções e orientações curriculares da Secretaria de Educação Básica do MEC (SEB/MEC) e um dos principais articuladores da proposta, tanto com o CNE quanto com as Secretarias de Educação. Nesse sentido, o |
educador esclarece que o "Ensino Médio Inovador" não é uma medida do governo para alterar as diretrizes curriculares do ensino médio, mas sim um estímulo a inovações pedagógicas, visando tornar o ensino mais atraente para os estudantes. Nesta nova proposta, que estrutura o ensino médio a partir dos eixos do Trabalho, da Cultura, da Tecnologia e da Ciência, haverá a ampliação da carga de 2.400 horas para três mil horas, com a destinação de 20% delas a disciplinas eletivas. A previsão é que o projeto já esteja implantado em 2010, a princípio, nas 100 escolas que obtiveram as piores notas no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem).
Apesar de não ter força de legislação, Carlos Artexes Simões admite que a Secretaria de Educação Básica do MEC discute com o CNE a revisão não apenas das Diretrizes Curriculares do Ensino Médio mas das Diretrizes Curriculares de toda a Educação Básica. Por isso, mudanças na legislação fazem parte do horizonte de políticas públicas no setor educacional. "As diretrizes atuais tiveram e têm uma grande dificuldade de serem apropriadas e |
impactar a prática pedagógica. É preciso recuperar uma linguagem capaz de dialogar com a comunidade escolar e, em particular, com os professores", argumentou o diretor de concepções e orientações curriculares da Secretaria de Educação Básica do MEC. Em entrevista à FOLHA DIRIGIDA, Artexes explica como será feito o repasse dos recursos do Ensino Médio Inovador, revelando que, para participar do programa, as Secretarias de Educação deverão apresentar uma meta em seu cronograma de trabalho e consistência em seu planejamento.
Além disso, o educador admite a sinergia entre a proposta de inovação no ensino médio e o novo modelo do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) que, na denominação do MEC, é chamado de Sistema de Seleção Unificado. Com relação à preparação dos professores para este novo modelo de ensino, Artexes atribui a responsabilidade pela concepção desta nova formação docente à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). |